quarta-feira, 9 de julho de 2008

Coisas de uma Super Via

Se você mora no Rio de Janeiro e pega trem, você conhece a Supervia e sabe que aqui o trem não é só um trem, mas uma gama de opções comerciais altamente diferenciadas. Se você vê um produto numa loja e acha o preço razoável, acha o mesmo produto no camelô e acha o preço ótimo, não o compre antes de saber quanto custa no trem e não ache que não vai encontrar, pois sim, você encontrará o que quer...
O trem carioca não se limita a ser um meio de transporte e um shopping ambulante, mas também pode ser usado como igreja, cassino, roda de samba, circo, show de horrores e muito mais... Eu não pego trem todo dia, só de vez em quando, mas garanto que não saio dele sem uma história para contar toda vez que preciso me deslocar nele.
Depois de utilizar o trem algumas vezes a gente já acha que viu de tudo, ou pelo menos, tudo que pode ser possível acontecer dentro de um vagão, mas não é bem por aí, nunca se esqueça que o ramal Santa Cruz é muito diferente do ramal Japeri, e por sua vez, se distingüe dos ramais Nova Iguaçu, Gramacho, e por falar nele, ó Gramacho, quantas coisas já não presenciei em teus límpidos vagões, fulguras do Brasil ó pátria amada... hehehehehehe
Enfim, depois de fazer essa longa introdução, vou explicar porque resolvi falar sobre esse assunto... Estava eu no ramal Gramacho (mas como??? Mora em Campo Grande e pega o ramal Gramacho??? Pra tudo nessa vida tem explicação, mas não agora...), com aquela tristeza de quem correu toda uma plataforma da Central pra pegar o trem sentado e essa é uma luta e tanto, quando vejo um rapaz distribuindo um papel para cada passageiro e essa seria uma situação corriqueira, se nesse papel estivesse escrito "Senhores paçageru, so sego, mãcu, çurdu e tenho 5 filhu duente e disnutridu, minha mulé moreu, preçizu da ssua ajuda...", mas não foi isso que eu li... Nesse papel que está aqui na minha frente, está escrito "L'amourex - Poeta e Escritor - Faço trabalhos escritos, personalizados, por encomenda. Poemas, contos, mensagens, etc... Dê um presente único a quem você ama! Contatos: e-mail, msn, orkut e celular".
Eu li isso e pensei: Caraio, essa eu nunca tinha visto... O cartão não tem nem um errinho de português, o rapaz possui contatos virtuais e tal e está divulgando o trabalho literário no trem... Depois de pensar um pouco, não é nada tão absurdo, afinal, eu estava sendo até meio preconceituoso, mas que foi uma situação anormal, foi... E que valor tão baixo tem a literatura... Poema por encomenda, e o nome do poeta é horrível, inclusive... Enfim...
Quem puder, dê uma força ao rapaz, pq ele merece!!! E pesquise no trem antes de fechar seu negócio... Você não vai se arrepender!

2 comentários:

Anônimo disse...

Pra vc ver.. o nosso Brasil é criativo e até mesmo o camelô é globalizado!!! rsrsrs Me fez lembrar a história do empresário de balas... vou postar no blog e linkar pra cá! www.peripeciasdaclarisse.blogspot.com

Anônimo disse...

Para ratificar essa história, já comprei Halls em vários lugares. O mais barato que consegui foi R$ 1. Porém, no fabuloso veículo da linha férrea de transporte de massa ou simplesmente trem para os íntimos, consegui a R$ 0,50.
Realmente o trem é uma caixinha de surpresas, além de mercado, ponto de pregação, show de comédia, etc.